domingo, 3 de junho de 2012

Alguém de pouca fé.

Acho que no fundo quem escreve, tem em alguns momentos algumas síncopes literárias de qual o real motivo de suas palavras. Qual o verdadeiro sentido? Pra quem? Pra que?

Constantemente me fiz estas perguntas. Mas cheguei a conclusão de que de forma até mesmo egoísta escrevo pra uma única pessoa:eu mesma.

Sim, escrevo pra esta que vos fala. Um turbilhão de palavras repetidas e sem sincronia em meus pensamentos são reorganizadas e reformuladas com caneta, papel, teclado.

Não encaro a escrita como um dom. Na realidade vejo mais como uma fuga,uma dificuldade ou uma péssima retórica.

Outro dia estava relendo meus textos e percebi que ainda que com palavras diferentes, com experiências e momentos diferentes existe um tema central. Talvez o tema expresse minha maior busca ou meu alvo mais distante.

Nunca tive a pretensão de ser influência para ninguém. Minhas palavras são confusas, meus pensamentos comprimidos e meus sentimentos inexpremíveis.

Mas uma coisa eu sei que sou. Uma mulher de pouca fé.Incentivadora da fé de muitos, mas ainda assim uma mulher de pouca fé.

Talvez esta concepção seja para alguns algo inadmissível ou incompreensível. Como alguém pode verbalizar seu pecado? Sua fraqueza? Ou seja lá o queiram chamar...

Não me encaixo no padrão de modelo cristão, mas confesso que não posso proferir um ateísmo. Eu tenho fé.

Aprendi durante minha caminhada a admirar toda e qualquer pessoa com coragem suficiente para questionar padrões e para reconhecer quem é.

Li uma vez uma frase que dizia o quão os cristãos haviam se tornada egoístas a ponto de determinarem seus assentos no céu e quem participaria com eles. Tive que concordar.

A concepção de céu, inferno, justiça, fé, descrença é algo tão subjetivo que não tenho propriedade para discutir.

Então, como em todos os meus textos, ofereço o único exemplo que posso dar: eu.

Creio em Deus. Não por uma tradição familiar, por uma experiência ou algo do gênero. Na realidade não sei definir a concepção de crer. Mas, eu creio.

Porém, me debato tudo que for contrário a aceitação de que tenho que ser algo que não sou. Sou o que sou e o que sou é conhecido pelo Eu sou.

Tenho certo medo do cristianismo que tenho visto. Medo de onde isso pode parar. Medo de como racionalizar pode ser visto como rebeldia ou rebelião.

Não tenho talento para rebeldia e nem estou me rebelando contra nada. Apenas sei que existem respostas dentro de mim que ainda não tiveram perguntas formuladas.

Apenas sei.

Não sou o tipo de pessoa que perderá horas a fio discutindo sobre fé e sobre a falta dela.

Na realidade, minhas discussões internas já me bastam.

Tenho buscado com disciplina solitude para me encontrar.

Minhas tormentas internas precisam ser cessadas e minha alma conturbada precisa ser pacificada.

Tenho chegado a essa conclusão.

Não quero ser definida. Cristã, não cristã, louca, questionadora, estranha, pertubada.

Sou apenas alguém.Alguém de pouca fé.