segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Tulipas.

Quem me conhece sabe que não sou muito fã de flores.

Mais se me perguntasse quais são as minhas flores preferidas, responderia:Tulipas.
Sempre foi, e nem sei ao certo o porquê.
A tulipa é uma flor ímpar.
No Brasil ela é quase rara, sendo possível ver somente no inverno, e nos países do norte, na primavera. Para cultivá-la é preciso muito cuidado. Se exposta ao calor, ela definha. Ela é uma flor simples, sem exageros.
Possui um caule reto, folhas simples e poucas pétalas.
A beleza da tulipa se encontra justamente na impressionante simplicidade.
E como eu já disse, gosto de coisas simples.
Ela não tem o perfume de uma rosa e nem a grandeza de um girassol...ela é simplesmente uma tulipa.
Ao mesmo tempo, ela não floresce o ano todo, mas quando sua flor surge...
A tulipa sabe a hora certa de aparecer e de hibernar.
Não quer dizer que por ela não estar em evidência que ela não exista ou que esteja morta.
Aprendemos que é preciso estar em destaque todo o tempo, de fazer coisas extraordinárias, de romper com o convencional. Se não é novidade, pouco importa.
Se não está fazendo algo, então se torna dispensável. Aí me lembro de João Batista no deserto.
Ele ficava dias em oração, refletindo, longe de tudo.
De repente, ele aparecia e aí cumpria seu papel.
Logo, suas palavras ganhavam público, então novamente ele se retirava. João Batista sabia a hora de sair de cena.
Jesus também era adepto dos momentos fora dos holofotes. Frequentemente Ele se retirava. Aliás, até os 30 anos quase nada sabemos dEle. Ele se resguardou, até chegar a hora de aparecer. Até então Ele simplesmente esperou ou seja,o tempo de espera por algo que vai nascer.
Estava lendo esses dias algumas coisas sobre a gravidez.
Ao gerar, a mulher se torna mais sonolenta, seus passos mais lentos, o olhar muda, ela necessita de mais descanso. Ela simplesmente espera, enquanto dentro de si um mundo está em revolução.
Ela pode ficar simplesmente sentada sem fazer nada, mas dentro de si há um árduo trabalho acontecendo. Aliás, tudo está em transformação.
De mulher ela se torna gestante, da gestante ela finalmente vira mãe. Enquanto ela descansa, uma grande transformação acontece pautada pelo tempo.
O que isso tudo tem a ver com tulipas?
Simples. É preciso aprender a esperar e a curtir esse período de espera.
É bom não estar em evidência, mas é essencial aparecer na hora certa.
É preciso aprender a esperar, a descansar, a desfrutar do tempo sem culpa. É preciso aprender a olhar para o lugar certo, para as pessoas certas e reconhecer que nem sempre é hora de agir, mas sim de repousar.


Acho que é por isso que gosto de tulipas...elas me ensinam a esperar.


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